terça-feira, 31 de julho de 2012

Fazendo ou não algum sentido...


... ao longo das nossas histórias a gente aprende que determinadas atitudes contribuem mais do que a gente imagina para que possamos viver e não somente sobreviver ou existir nesse mundo de infinitas possibilidades. Ainda que não sejam aplicáveis a todas as pessoas, algumas, ou muitas dessas atitudes tornam-se praticamente vitais, exigências para enfrentar decepções, perdas ou glórias ou, simplesmente, as situações do cotidiano. Permitam-me compartilhar aquelas que considero fundamentais:
Leia. A leitura abre um mundo de possibilidades, aguça a nossa imaginação, amplia nossos horizontes e até nos faz pensar que os nossos maiores sonhos podem se tornar realidade. Nesse mundo globalizado e cheio de informações jogadas em todo momento e lugar, a leitura pode se tornar um dos únicos meios de diferenciação entre os futuros membros da chamada "idiocracia"  e os membros do grupo dos "homens imortalizados pelo que aprenderam".
Fale menos e ouça mais. Falar é um exercício maravilhoso que pode servir até para reflexão mas, quando ouvimos, abrimos a nossa mente para novas opiniões, identidades, ideologias e, por consequência, nos tornamos pessoas melhores e mais abertas a relações de amor e de amizade. E olha que Tom Jobim está coberto de razão porque "é impossível ser feliz sozinho".
Coma o que quiser (em poucas quantidades, é claro). Acredite, mas não há nada mais triste do que querer conhecer o sabor de um determinado alimento e não ter dinheiro ou oportunidade para fazê-lo.
Desprenda-se do dinheiro. Se você não tem o suficiente procure meios para ganhá-lo mas, se você já tem o  suficiente, entenda que você é o dono do dinheiro, e não o contrário. Algumas pessoas tem privações por medo de perder o que já tem mas, quando a gente trabalha e se esforça, os bens materiais são consequência. Mas, não deixe de se compadecer com quem precisa e, se necessário, compartilhe o que você tem. A sensação de afeto que esse desprendimento acarreta pode ser indescritível.
Cante, dance e ouça as músicas de que gosta. Música é vida, inspiração, alegria. Em determinados momentos "a música certa" possibilita que compreendamos determinados fatos. E não é só nos filmes e novelas que podem existir trilhas sonoras, a nossa vida também pode ter uma. Qual é a sua?
Perca tempo! Por mais que pareça estranho, gestos como jogar conversa fora, assistir filmes ruins, ver novela e programas populares na TV, passar a tarde no sofá da sala esparramado ou em algum outro lugar sem fazer absolutamente nada, podem ser determinantes para que compreendamos o funcionamento do nosso organismo, das nossas emoções e das pessoas com as quais compartilhamos a vida, além do que, se a companhia pra esse tipo de (des)atividade for alguém da família ou muito próximo, os laços são estreitados, a gente se sente amado e, por consequência, muito mais feliz e preparado para enfrentar o  nosso dia-a-dia.
Compreenda as pessoas diferentes de você (para mim, essa é uma das mais importantes atitudes). Antigamente eu achava que todo mundo tinha que pensar como eu, ser da mesma religião que eu, gostar das mesmas coisas que eu, odiar mentira, traição e falsidade porque eu odeio, criticar as pessoas que eu critico, tomar partido porque eu sempre tomo partido. Mas, infelizmente, sempre vamos conviver com pessoas diferentes. E não importa a religião, a experiência ética ou estética ou os posicionamentos tomados. Temos que conviver, e bem. Então, aprendi que compreender é diferente de concordar e finalmente, passei a ser mais flexível e menos neurótica, e isso é bom demais!
Seja organizado! Não estou dizendo para separar todas as suas roupas e sapatos por cores ou tons ou não admitir que retirem seus adereços de mesa do lugar que você colocou (porque isso é coisa de Danielle rs). Até para estabelecermos desordens temos que ter uma ordem, uma lógica. Então, encontre a sua e passe menos tempo procurando coisas que não sabe onde colocou ou pensamentos que não sabe porque existiram na sua cabeça.
Seja humilde mas não a ponto de fazer com que as pessoas fiquem próximas de você somente por pena. Algumas ou muitas pessoas neste mundo inteiro tem passados tão humildes quanto o seu, ou o meu. Então, a velha história da infância pobre, ou da vida cheia de restrições é algo que você deve compartilhar somente com quem vai compreender essas etapas como momentos para o seu crescimento. Como dizem: "ninguém vê os tombos que eu levo, só as pingas que eu tomo" mas, pouco importa o que as pessoas vêem ou pensam. Só você e Deus podem saber e entender todos os seus sofrimentos. Então simplesmente agradeça a Deus ou a qualquer coisa em que você acredita porque você venceu mas, o mais importante, SEMPRE agradeça as pessoas que estiveram do seu lado enquanto você subia e que te ajudaram a se tornar uma pessoa melhor. Em muitos momentos, a gratidão é a melhor maneira de exprimir a nossa humildade.
Doe. O que você puder: roupas, sapatos, comida, remédios, afeto, carinho, compreensão. Compre mais aquilo que servirá para os outros do que aquilo que servirá para você. De alguma forma, o que você precisa sempre vem, e sempre é melhor do que você esperava.
E finalmente, admire e viva a simplicidade. A máxima do "menos é mais" nunca é demais.

Mesmo porque, as únicas coisas que podemos ser ou fazer, exageradamente, são: amar, perdoar, doar, agradecer e... viver!!!!

A escola ideal, segundo Frei Betto Enviado por luisnassif, ter, 31/07/2012 - 09:39



Por Assis Ribeiro
Frei Betto
Na escola de meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, conhecer mecânica de automóvel e de geladeira, e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra.
Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim, aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões subterrâneas que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.

Não há temas tabus. Todas as situações-limites da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a física, nas corridas da Fórmula 1 e pesquisas do supertelescópio Hubble; a química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a história, na violência de policiais a cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores-índios, senhores-escravos, Exército-Canudos etc.

Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de biologia e de educação física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a história do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e de dança, e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.

Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo; o pai-de-santo do candomblé; o padre do catolicismo; o médium do espiritismo; o pastor do protestantismo; o guru do budismo etc. Se for católica, promove retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja.

Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazerem periódicos treinamentos e cursos de capacitação, e só são admitidos se, além da competência, comungam com os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido sobre o que são democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.

Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto, adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente; a visão de felicidade; a relação animador-platéia; os tabus e preconceitos reforçados etc. Em suma, não se fecha os olhos à realidade; muda-se a ótica de encará-la.

Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e um mês por ano setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.

Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil os alunos traziam à classe toda a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar.

Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e recursos.

É mais importante educar que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que a ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito, e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.

Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para poderem se manter. Pois é a escola de uma sociedade onde educação não é privilégio, mas direito universal e, o acesso a ela, dever obrigatório.

Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática), entre outros livros.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

‘O abraço também é uma forma de tecnologia’

http://porvir.org/porpessoas/o-abraco-e-uma-forma-de-tecnologia/20120727

terça-feira, 17 de julho de 2012

Que posso mais dizer?

De todos os sentimentos, aquele que mais gera controvérsias é a fé. Como acreditar em quem não se vê, mas se sente. Em quem está perto, mesmo estando longe. Naquele que foi, é, e há de vir... Mas o fato é que Deus é Deus, e contra todo ateísmo ou agnosticismo, ainda que sem explicação, a sua presença é fonte de vida e luz para muitos que, assim como eu, já não sabem mais como viver, sem crer. Por causa disso a letra dessa música está na minha cabeça há dias, e sinto que compartilhá-la vai me fazer bem...
"Não sou nada, eu bem sei. Tão pequeno, um grão de areia em tuas mãos.
Barco a vela, que se abandona. Segue o rumo e vai buscando o alto-mar.
Assim me encontro, diante de ti. Um Deus imenso, que por amor se deixa alcançar...
Que posso mais dizer, se o coração já disse: te amo!"