segunda-feira, 25 de abril de 2011

Direitos Respeitados

Artigo publicado no Jornal O Globo.
CLAUDIA PEREIRA DUTRA - Secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC).

A educação inclusiva diz respeito a um conceito amplo que compreende o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes. Esta perspectiva rompe com o modelo homogêneo de organização do ambiente escolar, implicando mudança das práticas pedagógicas e de gestão para promover respostas às necessidades específicas dos estudantes. O direito a um sistema educacional inclusivo é assegurado pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), que estabelece o compromisso com a adoção de medidas de apoio necessárias no âmbito da educação regular. Assim, a inclusão escolar deixa de ser uma possibilidade para tornar-se um direito dos estudantes com deficiência, garantindo acesso a recursos e serviços específicos em ambientes que maximizem seu potencial acadêmico e social.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) define a educação especial como modalidade transversal aos níveis de ensino, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), complementar à formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O decreto 6.571/2008 estabelece, no âmbito do Fundeb, o financiamento à dupla matrícula desses estudantes, na educação regular e no AEE. A política de acessibilidade se expande no país com: implantação de mais de 24 mil salas de recursos multifuncionais para o AEE, em 83% dos municípios; apoio à acessibilidade arquitetônica; formação continuada de professores; disponibilização de livros em formatos acessíveis e laptops aos estudantes cegos; a criação do curso de Pedagogia Bilíngue - Libra/Língua Portuguesa no Instituto Nacional de Surdos e a Graduação em Letras/Libras; modernização do parque gráfico do Instituto Benjamin Constant; apoio aos núcleos de acessibilidade nas instituições de ensino superior; e a realização do Exame Nacional de Certificação para o Ensino e a Tradução/Interpretação de Libras. Destaca-se, ainda, o acompanhamento do acesso e permanência na escola dos estudantes com deficiência, com ações intersetoriais de identificação e eliminação de barreiras, ampliando o acesso à escola de 21% (2007) para 53% (2010).

A educação especial passa a integrar o projeto político pedagógico das escolas regulares, disponibilizando apoio específico a estudantes e orientação às estratégias pedagógicas e de acessibilidades em sala de aula. A realidade educacional se altera com avanços em todas as etapas e modalidades da educação básica e superior. De 2002 a 2010, a inclusão escolar passa de 110.704 (25%) matrículas para 484.332 (69%) e o número de escolas inclusivas cresce de 17.164 (8%) para 85.090 (44%). O Brasil não ignora o direito que as pessoas com deficiência alcançaram com a Convenção (ONU/2006) e a conquista desta geração, que define a deficiência como parte da diversidade humana e não mais aceita a segregação. O eixo estruturante da inclusão constrói valores humanos que não reforçam fronteiras entre "iguais" e "diferentes" e traduzem a concepção emancipatória da valorização das diferenças. Nosso compromisso como gestores e educadores é construir políticas públicas que representem a caminhada da educação inclusiva, superando os atos de benevolência e investindo na qualificação da escola pública.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Movimento PELA Inclusão!!!!

Pedimos um apoio em relação à Política Nacional de Educação Inclusiva
Assistam o comercial: http://www.youtube.com/watch?v=_29acQ8GKEU

Esse movimento é porque algumas instituições de Educação Especial estão fazendo pressão para que a nova política educacional retroceda, fazendo com que as pessoas com deficiência fiquem somente nas escolas especiais. Precisamos lutar para que isto não aconteça!!! Em uma escola especial dificilmente as pessoas com deficiência podem ter a mesma autonomia que na escola regular comum, convivendo com os diferentes. Assim, nos ajudem a levantar a bandeira da inclusão, divulgando os depoimentos  abaixo em todas as redes sociais. E insiram também seus depoimentos!


DEPOIMENTO 1 (PROFESSORA ANA MARIA ARAYA OSÓRIO)

Vou passar meu depoimento que é uma forma de ver como as pessoas que não conhecem as pessoas com necessidades, pensam. Eu conheço o Alfredo a Rita e outras crianças através do NEC.

Cada vez que via uma criança com necessidades especiais eu quase que atravessava a rua para não olear, não sei porque. Para mim era um problema assumir que na sociedade as pessoas podem ser diferentes e conviver comigo

Bom o convívio com  o Alfredo foi demais pois o carinho que ele tem  pelas pessoas que ele conhece é infinito, a Ritinha então me ensina cada vez que sua mãe conta como ela se vira e aprende cada dia mais.

Bom eu tenho vergonha, hoje, de um dia ter pensado em discriminar de alguma forma essas pessoinhas.

Eu fiquei um mês no Chile com minha família e a gente foi passear,na praia, na cidade nos shopping e eu não vi  nenhuma pessoa com alguma "característica especial", isso ficou estranho para mim pois aqui no Brasil a gente está acostumado a ver estas pessoas no dia a dia. Parece que lá  ainda se tem muito preconceito ou falta de apoio do governo para dar uma melhor assistência à mãe e filho "diferentes”. Será que este Brasil que eu amo  como meu pais, quer voltar atrás depois do avanço que a gente teve nestes últimos anos sobre a inclusão das pessoas, não só com  necessidades especiais mas diferentes?, porque vejamos, também existe outro tipo de exclusão como por exemplo o grande problema do Brasil e do mundo da obesidade,  essas pessoas também se sentem excluídas da sociedade elas não tem as medidas 60, 90, 60!, elas são diferentes!

Fica uma pergunta para as pessoas que querem decidir sobras as outras; estamos em uma democracia, então não podemos decidir que uma pessoa, cidadão, seja colocado num local onde ele não quer ir, não sou contra as APAES ou outros locais desse tipo mas também devemos oferecer outras oportunidades para aqueles que são diferentes mas querem conviver com nós  que para eles somos diferentes!

Há! Para finalizar eu amo o Alfredo e a Ritinha! E tiro meu chapéu para esses pais corajosos e bem amados pelos seus filhos


Desculpa o desabafo
abraços


DEPOIMENTO 2 (FERNANDA GONÇALVES VALIM)


Penso que essa questão é extremamente importante, não faz muito tempo que as pessoas com deficiência viviam escondidas e não usufruíam da liberdade..do ir e vir...etc, hoje podemos dizer que estamos no caminho.
Escolas para deficientes seria a exclusão destas pessoas que lutaram e ainda lutam para serem inseridos na sociedade.
Como filha de uma deficiente posso dizer que minha mãe não gosta de sair na rua, pois diz que as pessoas ficam olhando para ela, infelizmente ela não pode estudar e quando vejo que isso foi possível e acessível, nas escolas regulares fico muito feliz em saber que as coisas mudaram e podem mudar mais ainda.
Realmente é necessário lutarmos para que não retroceda...temos que lutar por aquilo que acreditamos...que todos são iguais e portanto diferentes e a liberdade de acesso tem que ser para todos.

Abraços,

DEPOIMENTO 3 (PROFESSOR MANOEL OSMAR SEABRA JR)

Que coisa séria está questão. Mas penso que não há como retroceder a política implantada em nosso País a respeito da inclusão. Entendo que se conseguirem romper algumas questões, em nível nacional, haverá uma fragmentação em termos de políticas estaduais sobrepujando a nacional, ou seja, a briga será de "gente grande" Mas, em minha ignorância política, vou pensar em algo, além dos já propostos pelo grupo. Abraço,

LEMBREM-SE, SER DIFERENTE É SER NORMAL!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mudança

Começo esvaziando as gavetas. Papéis, embalagens, fotos, roupas, perfumes, presentes, bilhetes, alianças.... Todas as coisas guardadas aparecem e, cada uma delas, traz uma lembrança. Sorriso para as lembranças boas, lágrimas para as lembranças tristes. Algumas coisas tão escondidas, fazendo parecer que meu subconsciente não queria achá-las nunca mais, simplesmente para não lembrar.

O espaço tem registrado em cada um de seus cantos, uma época cheia de memórias, de vida, de esperança. Cinco anos e todas as expectativas possíveis ali gravadas. Até as paredes parecem pedir para que eu disponibilize alguma caixa, onde possa guardar os momentos que também registraram.

Tudo está fora do lugar, pronto para ser embalado e mandado para seu destino. E eu, o que faço? Inerte à sensação de vazio, olho para as coisas que vão para o caminhão de mudança. Penso: do que preciso para viver em um novo espaço? 
Em meio a tantas coisas, tantos objetos, decido que o que vai ficar comigo são: uma meia dúzia de roupas e sapatos, meus livros e meus DVDs.

Preciso SOMENTE disso, e das tantas lembranças, para começar tudo de novo. E começo, enchendo as novas gavetas...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Duvido (Orlando Vaz Carneiro)

Achei isso tão lindo!!!

Duvido
que você saiba
quem é
o meu sorriso

Duvido
que você saiba
quem gira
o meu girassol

Duvido
que você saiba
quem mora
dentro de mim

Entre com muito cuidado!

Vai ser difícil
você conseguir caminhar
no meio
de tantos mins
e de tantos vocês.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

O mito da caverna

O escuro, as sombras e o medo.
As sombras que surgem da luz que atravessa as frestas longínquas e quase imperceptíveis. A luz que penetra na caverna como sombra, como fragmento, como aquilo que acreditamos ser. O homem e toda a sua filosofia jamais foram capazes de desvendar os mistérios das sombras dentro das cavernas. São aquilo que vemos (ou achamos que vemos)? São aquilo que acreditamos mesmo sendo uma grande mentira?
Sócrates indaga Glauco: "Pois são nossa imagem perfeita (as sombras). Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?" Ao que Glauco responde: "Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida".
E nossas cabeças seguem imóveis dentro da caverna. Cobertas de sombras, de medos, posto que nos negamos ou não podemos enxergar a luz. Porém,

"Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.
Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição?"

A caverna é o mundo visível. A luz é o sol. O cativo desatado é a alma que se eleva ao mundo inteligível. E nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, que se pode conhecer com muito esforço e, uma vez conhecido, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom!