O escuro, as sombras e o medo.
As sombras que surgem da luz que atravessa as frestas longínquas e quase imperceptíveis. A luz que penetra na caverna como sombra, como fragmento, como aquilo que acreditamos ser. O homem e toda a sua filosofia jamais foram capazes de desvendar os mistérios das sombras dentro das cavernas. São aquilo que vemos (ou achamos que vemos)? São aquilo que acreditamos mesmo sendo uma grande mentira?
Sócrates indaga Glauco: "Pois são nossa imagem perfeita (as sombras). Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?" Ao que Glauco responde: "Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida".
E nossas cabeças seguem imóveis dentro da caverna. Cobertas de sombras, de medos, posto que nos negamos ou não podemos enxergar a luz. Porém,
"Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.
Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição?"
A caverna é o mundo visível. A luz é o sol. O cativo desatado é a alma que se eleva ao mundo inteligível. E nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, que se pode conhecer com muito esforço e, uma vez conhecido, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom!
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