segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rede de Apoio à Educação Inclusiva - Princípios Norteadores



 Diante da necessidade de se repensar nas estratégias para o desenvolvimento das políticas públicas de inclusão difundidas pelo Ministério da Educação através da atual Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI, os sistemas públicos precisam organizar o propósito para a união de esforços e recursos relacionados à inclusão escolar da pessoa com deficiência. Nesse sentido, surge a Rede de Apoio à Educação Inclusiva, cuja compreensão e implementação se faz a partir dos seguintes princípios norteadores:

1.    Ampliação da meta constitucional de municipalização das políticas públicas;
2.    Sustentação da política de inclusão que inclua a dimensão da interdisciplinaridade em seus fundamentos metodológicos. O aprofundamento do processo de inclusão social, neste momento, implica retirar a discussão da tradicional polarização entre “estratégias clínicas”, ao encargo da saúde versus “estratégias pedagógicas” ao encargo da educação;
3.    Reorganização da função da escola e da saúde no processo de aprendizagem e socialização para além dos limites instituídos, em que à primeira cabe a informação e a segunda o tratamento das deficiências;
4.    Enfrentamento da exclusão social de pessoas com deficiência que implica em saberes, formações e estruturas das instâncias administrativas para uma gestão colaborativa que exige uma ressignificação do papel do Estado na implementação das políticas.

Com a compreensão desses princípios será possível compreender o debate sobre a escola inclusiva que nosso país almeja, estabelecendo como componente fundamental a universalização e democratização do acesso e permanência à educação, bem como o desenvolvimento de práticas pedagógicas menos centralizadoras e mais globalizadoras, trazendo à escola a sociedade e a família, para a participação e aprendizagem de todos os alunos.
Somente neste sentido será possível caracterizar o movimento de inclusão e consolidação efetiva de um paradigma educacional que emerge dos desafios da construção de uma escola das e para as diferenças!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Algum dia eu vou desejar à uma estrela, acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim... Onde problemas derretem como balas de limão!

terça-feira, 24 de maio de 2011

O DOM SUPREMO...


 As leituras são excelentes momentos para refletirmos, bem como para comprovar ou refutar nossas próprias teorias sobre a vida. Além do que, algumas obras tem o poder nos fazer sentir naquele exato lugar, naquele momento, ouvindo determinadas palavras as quais, mesmo já conhecidas, podem causar outras impressões, outros impactos, outros caminhos.
A leitura de que falo hoje trata-se de "O Dom Supremo" (Adap. Paulo Coelho), que em menos de uma hora despertou alguns sentimentos e reflexões...
O fato é que, entre 2007 e 2008, um acontecimento marcou para sempre minha visão sobre Deus, o mundo e principalmente, os seres humanos. Alguém que atribuía à religião e às outras pessoas todo e qualquer sentimento de culpa, pecado ou redenção, passou a entender a vida simplesmente como uma divisão entre atitudes que são direcionadas para o bem, ou para o mal. 
Nesse momento a palavra AMOR passou a ter uma conotação muito mais abrangente. Passou a ser aquilo que eu, ou qualquer outra pessoa sentiria, sem o menor interesse, e mais do que isso, com a preocupação primeira de jamais machucar o outro. Aí entendi que ser bom, ser de Deus, teria muito mais haver com  atitudes do que com palavras como fé, esperança ou caridade. Ser bom passaria a ser, simplesmente praticar o amor. Deixar esse sentimento expresso e não deixá-lo passar, pois sua negação seria ainda mais penosa. E perdoar, quantas vezes fosse necessário.
Somente com muito esforço consegui entender que "quem nos entende pode nos transformar". Esse entendimento, ainda que sofrível, poderia permitir que alguém se transformasse de fato, em quem realmente queria ser. Sem rótulos, ou máscaras, mas com a certeza de que seria amado, de uma forma diferente, mas ainda sim, uma forma de amor.
E ainda hoje, com toda a maturidade de espírito que acredito ter conquistado, todos os dias, todas as horas, tento me recordar da palavra AMOR, em sua plenitude. E mais do que isso, tento praticar o amor.
Eu diria que não é nem um pouco fácil, mas estou tentando... "Pois a vida, em todos os seus momentos de alegria e tristeza, esperança e medo, é apenas a chance de aprender o Amor, como o Amor pode ser, como foi, e como é."

"A vida nos oferece milhares de oportunidades para aprender a amar. Todo homem e toda mulher, em todos os dias de suas vidas, tem sempre uma boa oportunidade de entregar-se ao Amor. A vida não é um longo feriado, mas um constante aprendizado."

Mesmo que pareça impossível, é esse o dom supremo, é esse o sentido da vida...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Anti anti-implante coclear: em direção ao respeito à diversidade na surdez


O direito à diversidade, à liberdade de escolha. E a esperança de que nossa sociedade um dia reconheça as diferenças não somente a partir dos rótulos. Ter ou não deficiência é APENAS, e tão somente, uma diferença.
Aquilo que nos aproxima ou nos divide é a nossa essência. Para esta, NÃO é possível impor rótulos.

Leiam o brilhante texto de Anahi Guedes de Mello!



Sou anti anti-implante coclear na exata medida em que sou anti anti-libras, pois acredito que todos temos o direito de fazer escolhas. Nós escolhemos algo ou alguma coisa baseando-nos naquilo que sentimos ser o melhor para nós mesmos, e não o que os outros acham ou decidem o que é melhor para nós, salvo nos casos em que somos pequenos e, portanto, ainda não temos o poder de fazer determinadas escolhas. Enfim, as escolhas também implicam em desafios, pois que elas também têm limites. 


Adoro especialmente quando Robert Martin nos afirma "cuidado para que a pessoa não se torne o rótulo. Digo que rótulos são para potes de geléia. O melhor rótulo para mim é o meu nome. Eu sou Robert Martin e sou neozelandês. Sou uma pessoa primeiro e minha deficiência é apenas uma parte da minha vida. Minha deficiência não me possui." Estas palavras me cairam como uma luva, pois eu sempre adotei esta postura em relação à minha surdez, razão pela qual nunca me interessei verdadeiramente por nenhum movimento pró "cultura surda". É verdade que já estive perto de entrar nessa onda (lembro-me especialmente da passeata pró "cultura surda" de 1999, em Porto Alegre, em que me aderi "sem mais nem menos", ao lado de pessoas surdas usuárias de libras vindas de toda parte do país), mas isso se deu numa época em que as idéias e ideais que nortearam/norteiam o conceito de "cultura surda" ainda não me eram claros, eu viria a ter os primeiros contatos com as teorias dos Estudos Surdos alguns meses depois desse evento. E a conclusão a que cheguei é que Orgulho Surdo não é comigo. Sou uma pessoa primeiro e a surdez não me possui.


Pois bem, dito tudo isso acima, vou ao que me interessa: estive navegando no youtube, a fim de procurar vídeos sobre a temática da deficiência para meus trabalhos, e de cara me deparei com este lamentável vídeo, campanha anti-implante coclear. Seria trágico se não fosse cômico, a começar pelas mais absurdas desinformações relativas às "restrições impostas" pelo implante coclear. Está aqui a prova mais cabal do grau de infantilidade de uma parcela da comunidade surda, contrária às tecnologias que possam trazer melhor qualidade de vida às pessoas com surdez profunda:


http://www.youtube.com/watch?v=beKYEPfxhTY&feature=related


Um desses sujeitos fazendo uso de teatro barato para ridicularizar os usuários de implante coclear com demonstrações dos choques elétricos que levamos (esta foi boa), da "restrição" do implantado ao mergulho, totalmente ridícula (dentre outros exemplos dados, igualmente ridículos), dando a entender a (im)possibilidade do surdo implantado em mergulhar e culpar (os pais, os médicos ?!) por não poder suportar a pressão debaixo d'água e com isso danificar o implante coclear ?? 


A princípio eu nem ligaria, mas o problema é que a ignorância deles afeta a imagem de qualquer pessoa com deficiência auditiva. As pessoas com deficiência auditiva não são um grupo homogêneo. Qual surdo oralizado nunca teve que educadamente pedir para algum bom samaritano falar, em vez de ficar-lhe fazendo mímicas ou mesmo libras? Não é este o tipo de vida que nós, usuários de implante coclear, levamos, como querem fazer crer essa propaganda anti-implante. Se o implante coclear é tão ruim assim, ou como consideram os mais extremistas deles, um crime contra a pessoa surda, e se essa premissa é verdadeira, então pela lógica se uma pessoa tiver duas pontes dentárias já não passa pela porta de um banco; assim, ela não pode ir ao dentista senão virará um robô, visto que uma dentadura postiça é sempre uma prótese. Tal qual um marca-passo e um implante coclear. Não se trata de dizer o que é bom ou mau pra pessoa surda. Trata-se, repito, do grau de infantilidade da mente humana, na incapacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que o outro possa estar se sentindo. Enfim, essa gente fica citando os mesmos autores para comprovar que estão certos e depois dizem que não podemos discutir o assunto porque não os lemos. Eu já usei o argumento de que, se as premissas são falsas, a tese é igualmente falsa, sem precisar lê-la inteira. Por exemplo, não preciso ler um mundo de livros nazistas para me convencer de que o nazismo está errado. Basta conhecer suas premissas (se uma coisa tem cheiro de merda, cor de merda e formato de merda, não precisamos provar para se certificar se tem gosto de merda). Agora, logicamente, aos olhos dos nazistas, o nazismo é científico. Mas aos nossos olhos, não precisamos estudar o nazismo para sabermos que essa teoria está errada.


A cultura tem como moto perpetum os aprendizados, calcados na experiência, que é acumulativa. Assim, se uma cultura é, por definição, mutável, para eles não pode bastar porque, se bastasse, estática haveria de ser. Sendo estática, cultura já não seria. Neste sentido, na medida em que a tecnologia caminha para suprir as necessidades humanas e elas são ditadas em grande parte pela cultura, ela há de ser influenciada em igual monta pela tecnologia. Quando os livros passaram a ser impressos, a necessidade de ler aumentou, pois ficou mais barato imprimir do que relatar oralmente. Quando a tecnologia permitiu, o homem se fez aos céus, criando uma demanda constante por viajar. A rejeição da tecnologia há de ser, portanto, uma quebra do enlace cultural mutável que caracteriza o ser humano. Podemos concluir que o uso do implante coclear cria uma variante na "cultura surda". O implantado não será jamais um ouvinte mas será capaz de emular a audição, da mesma forma que um ser humano, ao entrar num avião, não se transforma em pássaro. Em outras palavras, um implantado não deixa de ser surdo, da mesma forma que um portador de marca-passo não deixa de ser cardíaco. A meu ver, o implante coclear transforma um surdo sem acesso ao som num surdo com acesso ao som, da mesma maneira que um marca-passo transforma um cardíaco com arritmia num cardíaco sem arritmia.


Por que então enxergar os surdos implantados como traidores da cultura surda ? Por que fazer tamanha campanha contra o pobre aparelho ? Vocês, como Surdos, ao pretenderem que a surdez não se extinga, ao fomentarem que se perpetue, deveriam estar mais preparados para entender o mundo que lhes cerca. Deveriam estar mais alerta para o entendimento da diversidade passar obrigatoriamente por despirem-se das atitudes arrogantes. Aliás, não seria psicologicamente muito mais equilibrado mostrarmos os riscos e benefícios e deixarmos que a pessoa se decida por si mesma ? No caso dos pais decidirem por seus filhos surdos, a conseqüência não poderá ser tão funesta assim, pois bastaria, caso o indivíduo optasse pela surdez sem sons, desligar o aparelho. 


Sinceramente,

Anahi GM
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS 
Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades - NIGS
http://www.nigs.ufsc.br
ANT - CFH - UFSC

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Apesar de ter acordado hoje com vontade de escrever coisas bonitas, ao longo da manhã entendi que é praticamente impossível expressar o que passa por uma mente cujo estado de espírito se sente livre, leve e talvez pela primeira vez na vida, sem cobranças, sem encanações! 
Essa falta de cobrança me impossibilita escrever algo que faça algum sentido.
E por isso, esse estado de espírito caótico e ao mesmo tempo pleno, não me permitem sistematizar NADA. 
 
Só consigo pensar, que não quero perder nada... Poderia passar minha vida nessa doce rendição e poderia continuar perdida neste momento para sempre!
 
Quão alto você pode voar com asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino...
 
Faz algum sentido pra você?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Relatório de monitoramento da CDPD aberto para consulta pública

 CONSULTA PÚBLICA. n° 59 - Consulta Pública sobre o 1º relatório referente ao cumprimento das obrigações do Estado brasileiro, derivadas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, perante a Organização das Nações Unidas, o qual será objeto de apreciação pelo Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Pretende-se, com a Consulta Pública, incentivar e facilitar a participação da sociedade civil no processo de elaboração do relatório, em particular das pessoas com deficiência e das organizações que representam seus interesses, por meio do recebimento de contribuições acerca de seu objeto, para a consolidação de seu conteúdo, seu enriquecimento e a melhoria da qualidade da informação nele contida, de modo a promover a fruição de todos os direitos protegidos pela Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. As contribuições e sugestões, fundamentadas e devidamente identificadas, devem ser encaminhadas exclusivamente conforme indicado a seguir e, preferencialmente, por meio do formulário eletrônico disponível no endereço https://www.consultas.governoeletronico.gov.br, a partir das 0h do dia 08 de abril de 2011 até às 23:59h do dia 07 de junho de 2011. Serão também consideradas as manifestações recebidas até às 17:00h, do dia 07 de junho de 2011, encaminhadas por carta, fax ou correio eletrônico para: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Edifício Parque Cidade Corporate, Torre A, 8º andar - Setor Comercial Sul B, Quadra 09, Lote C, CEP: 70308-200 - Brasília - DF Fax: (0xx61) 2025-9747 Correio eletrônico: corde@sdh.gov.br – Ou através do Portal/CAO Cível/Direitos Humanos/PCDeficiência, sendo necessário fazer o Login Intranet.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Petição Pública - Manifesto PELA Inclusão

O Manifesto pela Inclusão ganhou mais expressividade e pode ser assinado por todos.
Para assinar, basta clicar em:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=INCLUSAO

Vamos nos movimentar???

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Certezas

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.


(Mário Quintana) GRIFOS MEUS