quarta-feira, 25 de abril de 2012

Teorias derivam de práticas e práticas conduzem a teorias?



Há tempos tento compreender a Educação como uma ciência aplicada que busca configurar as práticas postas e manifestas na sociedade e no ambiente escolar para a construção de determinados conhecimentos. Pois bem, vivemos em um mundo globalizado, a chamada sociedade da informação e do conhecimento. Em pleno século XXI presenciamos demandas de Educação Escolar Básica relacionadas à inclusão das minorias (ou maiorias, dependendo do ponto de vista) e ao acesso e uso das tecnologias digitais de informação e comunicação. Não obstante, a Educação Superior tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação torna-se parte contínua na chamada "democratização da educação". Os cursos de Licenciatura recebem o estudante da Educação Básica que, na maioria das vezes, tem uma experiência com a leitura e a escrita extremamente refletores do cenário de "acesso" ao sistema. Fenômenos como incapacidade de pensar ou agir sobre algo, dificuldade em compreender o que se lê, bem como de associar o mundo vivido com o mundo pensado ficam mais aparentes à medida que os impasses sobre o sentido da Educação, sobre as condições de trabalho dos profissionais de Educação e sobre a estrutura dinâmica e formativa da escola são problematizados e problematizadores daquilo que compreendemos como Educação hoje. Se considerarmos os dados de 2010 de que 58% dos estudantes de Ensino Superior foram formados em licenciatura e em Pedagogia em EaD, sendo desses 78% pelas IES privadas, começamos a compreender os parâmetros e paradoxos pelos quais esses profissionais de educação são formados. Precariedade de materiais e corpo docente desqualificado, carga horária e atividades "fantasmas", sistemas de avaliação imprecisos e desconexos da realidade são alguns dos muitos motivos pelos quais devemos ficar preocupados com a situação. Se a prática pedagógica deve ser concebida como um ato de reflexão, uma vez que a teoria deriva da ação e para a ação ela deve voltar, como diria Henry Wallon, que tipo de reflexão, ou melhor, que tipo de prática esses cursos de licenciatura tem promovido à esses estudantes? Que preceitos de justiça social tem sido debatidos nesses espaços de formação, onde a escola pública deve passar a assumir a oferta de uma educação que leve, ainda que minimamente, o sujeito em formação a se apropriar de determinados conhecimentos científicos?

Diante dessas dúvidas, há que se pensar sobre o papel dos estudiosos das universidades públicas (que são "financiados" com os recursos públicos e comuns a TODOS os cidadão brasileiros), sobre a sua inserção e mergulho nos processos de formação de professores, e na praxiologia que DEVE comprazer aos interesses de qualidade da Educação no Brasil. Ainda que momentos de reflexão sobre aspectos mais elevados do intelecto como o humor, o riso, a tristeza e o "diabo a quatro" também sejam importantes, a universidade pública tem que mobilizar uma plateia de mais de 1000 estudantes e pesquisadores para pensar e AGIR sobre coisas mais importantes.
Em algum tempo, em algum momento, tanta teoria vai ter que servir para a prática...
Do contrário, fica o incômodo e a pergunta? Pra que estudar tanto???

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