Interessante a abordagem de Gerard Fourez no texto O MÉTODO CIENTÍFICO: ADOÇÃO E REJEIÇÃO DE MODELOS: Teorias, leis, modelos. Aliás, a filosofia da ciência tem me instigado há um certo tempo, determinando as formas como tenho concebido as correntes pedagógicas e meu próprio tema de pesquisa.
No texto do Fourez encontrei a premissa de que as teorias científicas são subdeterminadas, uma vez que não são completamente determinadas. Com isso, é possível ter um número infinito de teorias para um número finito de proposições empíricas, relativizando portanto, as nossas representações científicas e indicando que não se pode dizer jamais que os resultados empíricos nos "obrigam” a ver o mundo de tal ou tal maneira.
E isso é confortante!
Pode-se considerar que a ciência se destina simplesmente a dar conta de um número finito de observações científicas. E pode-se então representar a abordagem científica como se segue.
De acordo com o autor:
Começamos sempre olhando o mundo já com um certo número de idéias na cabeça: idéias preconcebidas, representações, modelos, sejam científicos, pré-científicos ou míticos. Essas representacões possuem sempre uma certa coerência, mesmo que, levadas ao extremo, possam revelar-se incoerentes. As teorias, leis ou modelos são todas essas representações que nos damos do mundo. Longe de provir unicamente das experiências que se acaba de fazer, elas dependem sempre das idéias que se aceitavam de início.
Quando essas representações não nos convêm, por uma razão ou por outra, nós as substituímos por outras que nos sirvam melhor para fazer o que quisermos. Portanto, as representações aparecem mais ou menos válidas de acordo com os projetos humanos nos quais queremos situá-las (Mach. 1925, p. 81)
Com isso, é possível compreender que a ciência surge como uma prática que substitui continuamente por outras as representações que se tinha do mundo. A ciência aparece quando não se aceita mais a visão espontânea como absolutamente necessária, mas como uma interpretação útil em determinando momento. Os nossos modelos partem sempre de uma visão ligada à vida cotidiana, de uma visão espontânea, evidentemente condicionada pela cultura. Ligam-se a uma maneira de viver, a uma cultura, a interesses, a uma multiplicidade de projetos.
Com isso, é possível compreender que a ciência surge como uma prática que substitui continuamente por outras as representações que se tinha do mundo. A ciência aparece quando não se aceita mais a visão espontânea como absolutamente necessária, mas como uma interpretação útil em determinando momento. Os nossos modelos partem sempre de uma visão ligada à vida cotidiana, de uma visão espontânea, evidentemente condicionada pela cultura. Ligam-se a uma maneira de viver, a uma cultura, a interesses, a uma multiplicidade de projetos.
Na medida em que tomo uma certa distância em relação a essa vida cotidiana, perguntando-me sobre os fenômenos observados, começo a construir um espaço conceitual podendo me fornecer um outro modelo do mundo. Nesse sentido, os sistemas teóricos aparecem como interpretações que organizam a nossa percepção do mundo. E na medida em que não são puramente individuais, essas visões podem se modificar em determinada cultura. Com isso, os modelos, assim como os objetos, não são subjetivos, mas são instituições sociais ligadas a projetos: técnicas.
2 comentários:
Que interessante Dani. Saudes de conversar com você. Filosofia da ciência? Sobre o que está escrevendo?
Por isso nunca dou muita bola nos trabalhos do tipo "Leite faz bem para a saúde" / "Leite faz mal para o coração"
saudades*
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