terça-feira, 5 de julho de 2011

A ciência pós-moderna e o senso comum



Tentando compreender o paradigma da ciência pós-moderna, aliado à própria filosofia da ciência, penso serem as linhas abaixo grandes norteadoras do que se espera da ciência atual e futura. E não poderia jamais construir esse pensamento sem a leitura do texto de Boaventura de Sousa Santos...

A ciência moderna nos ensina sobre as nossas formas de ser e estar no mundo, além de produzir conhecimentos e desconhecimentos.
O que nos faz compreender que o cientista nada mais é do que um ignorante especializado, e o cidadão comum, um ignorante generalizado.
Ao contrário, a perspectiva da ciência pós-moderna considera que nenhuma forma de conhecimento é racional em si mesma. E com isso tenta dialogar com outras formas de conhecimento, deixando-se penetrar por elas.
Essa ideia traz o conhecimento do senso comum, aquele prático, construído no cotidiano, nas experiências e nas ações, como aquele que dá sentido às nossas vidas.
A ciência pós-moderna portanto, considera o conhecimento do senso comum, reconhecendo neste algumas virtualidades para enriquecer a nossa relação com o mundo. Ainda que o conhecimento do senso comum tenda a ser um conhecimento mistificado e mistificador, tem uma dimensão utópica e libertadora que pode ser ampliada através do diálogo com o conhecimento científico.
O senso comum faz coincidir causa e intenção; faz aflorar uma visão do mundo pautada na ação e no princípio da criatividade e da responsabilidade individuais. O senso comum é prático e pragmático; reproduz-se a partir das trajetórias e experiências de vida de um dado grupo social. O senso comum é transparente e evidente. O senso comum é indisciplinar e imetódico; não resulta de uma prática especificamente orientada para o produzir; reproduz-se espontaneamente no suceder quotidiano da vida. O senso comum aceita o que existe tal como existe; privilegia a ação que não produza rupturas significativas no real. Com essas características, o conhecimento do senso comum têm uma virtude antecipatória.
Na ciência pós-moderna o conhecimento científico só se realiza na medida em que se converte em senso comum. Só assim torna-se uma ciência transparente que não despreza o conhecimento que produz tecnologia, mas entende que se deve traduzirem auto-conhecimento, e em sabedoria de vida.
É esta que assinala os marcos da prudência à nossa aventura científica
Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro. Sabemo-nos a caminho mas não exatamente onde estamos na jornada!

REFERENCIA

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um Discurso sobre as Ciências, 11. ed.. Porto: Afrontamento, 1999.

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