Lamento informar que as cenas anunciadas abaixo fazem parte de um cotidiano bizarro e desinteressante.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, segunda-feira 11 de julho, 19 horas e 30 minutos. Um grupo de estudantes de pós-graduação adentra a sala de apresentações de painéis, a qual será coordenada por um professor especialista no Eixo "Pesquisa em Educação e Formação de Professores". Em um total de 7 trabalhos, com as respectivas temáticas de pesquisa: profissionalização docente, formação de professores da educação básica ciclo I, alfabetização e letramento e formação de professores, formação de professores para o uso de recursos educacionais digitais (desta que vos escreve), formação de professores do ensino profissional e formação de professores de educação ambiental, o "professor doutor" anuncia a disponibilidade de tempo de apresentação de 10 minutos para cada expositor e 50 minutos para debate sobre os mesmos.
Poderia ser assim, não fossem as vaidades...
Após as apresentações, breves e desconcertantes, três chamados "professores doutores" resolvem problematizar o ensino de 9 anos, presente no pano de fundo em dois ou três trabalhos expostos. Resolvem criticar, sem o menor pudor, o processo de implantação dessa política no Estado de São Paulo e, não obstante, endeuzar o mesmo processo de implantação no Estado do Rio de Janeiro. Pasmem, são 50 minutos de debate sobre o "por que" no Rio de Janeiro tem dado certo e em São Paulo não. E quem disse que não? Com base em que pesquisas poderiam chegar a essa conclusão?
Mas o motivo de espanto não é o referido debate. Não fosse o momento em que foi lançado, seria até interessante, mas a completa desvalorização dos trabalhos expostos tornou o cenário, no mínimo, desmotivador. Alunos de pós-graduação de diversos Estados do país inteiro dispostos a problematizar suas pesquisas, receber sugestões, aprimorar seus procedimentos metodológicos... E tudo o que importava era descobrir quem é melhor, Rio, ou São Paulo...
E ainda me perguntam porque os professores constituem uma classe tão desunida e competitiva!
BIZARRO
Apesar de tudo, estava no Rio de Janeiro e fui salva pelo Corcovado, Pão de Açúcar, Copacabana, Ipanema...
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